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Osório: “modelo rodoviário não funciona mais no Rio”

22 de Outubro de 2013, 14:25
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O secretário municipal de transportes Carlos Roberto Osório afirmou, em audiência pública sobre o orçamento de 2014, que a Prefeitura não trabalha mais com a lógica rodoviária e está investindo em outros modais de transportes. Entretanto, ele mesmo defendeu durante a sessão os investimentos em 4 corredores de BRTs, sendo três deles com ponto final no terminal Alvorada, na Barra da Tijuca. A declaração do secretário é contraditória. Embora seja mais moderno que um ônibus comum, o BRT continua sendo um… ônibus!

O exemplo de Curitiba, pioneira na implantação desse sistema, demonstra que o aumento de usuários no sistema (No Rio, segundo Osório, 4 milhões de viagens são feitas em ônibus todos os dias) e a complexidade dos desafios de trânsito indicam que o caminho é o metrô. Na capital paranaense, os BRTs estão sendo sistematicamente trocados por metrô - e Curitiba tem, segundo o censo de 2010, 1,7 milhão de habitantes contra os mais de 6 milhões que moram no Rio.

A cidade deveria seguir esse exemplo, firmando parcerias com o Governo do Estado para a ampliação da sua rede. A Prefeitura pode e deve se meter nessa história. É aqui, na capital, que o ainda insipiente metrô está implementado.

Operação acima da capacidade

Um dos pontos polêmicos é a construção do chamado lote zero da TransOeste, ligando o terminal Alvorada (próximo à Cidade das Artes) ao Jardim Oceânico, onde termina a linha 4 do metrô, atualmente em construção pelo Governo do Estado. A via opera bem acima da capacidade prevista, carregando uma média de 130mil passageiros/dia - projeção era de 100mil. A licitação desse trecho da TransOeste já foi suspensa por cinco vezes em função de pedidos de esclarecimentos do Tribunal de Contas do Município.

O vereador Carlo Caiado (DEM), criticou essa ligação proposta pela Prefeitura: “o BRT não vai comportar o fluxo de pessoas. Vários condomínios na Barra já avisaram que vão  continuando ônibus próprios para fazer esse trajeto. A solução para esse trecho é a expansão da Linha 4 do metrô até a Alvorada”, cobrou. Osório disse que o BRT é “absolutamente essencial” - a Av. das Américas vai ganhar mais uma faixa de rolamente nos dois sentidos - pois não há planejamento nem tempo hábil para fazer essa ligação via metrô até 2016.

Intregação do bilhete único a trem e metrô é adiado mais uma vez

A implementação do bilhete único carioca (BUC) nos trens e metrô sofreu novo atraso. O primeiro prazo era final de 2012. Em janeiro desse ano, o prefeito publicou um decreto dando mais 6 meses para a conclusão da implantação, o que, novamente não ocorreu. O prazo agora foi para 2017, embora o secretário afirme que o desejo é ter essa integração pronta no ano que vem. Questionado pela vereadora Teresa Bergher (PSDB) sobre essa demora, Osório disse que o novo atraso se deu por conta da redução da passagem dos ônibus e do metrô, que provocou um desequilíbrio econômico-financeiro no contrato das concessionárias.

O secretário afirmou ainda que o município não vai subsidiar as empresas de ônibus para compensar a perda de receita com não aumento da passagem, que passaria de 2,75 para 2,95. A saída é melhorar a efetividade do sistema, acelerando o cronograma de implantação dos novos corredores de BRS. Osório anunciou que a primeira parte do VLT do Centro (Rodoviária - Pres. Antonio Carlos) entrará em operação em 2015 e que o segundo trecho (Central - Santos Dumont) será inaugurado em 2016.

O vereador Reimont (PT) cobrou informações sobre o convênio de R$ 55 milhões com a Fetranspor para o transporte de alunos da rede municipal e a subutilização dos Ônibus da Liberdade. Osório afirmou que o valor foi definido “arbitrariamente na licitação de 2010” e que, se o município pagasse por todas as passagens dos estudantes, o subsídio seria bem maior. Sobre o programa Ônibus da Liberdade, o secretário disse que ele é usado em áreas onde há carência de transporte público.

Por conta da longa explanação do secretário, não houve apresentação da presidente da CET-Rio, Claudia Secin, cujo órgão é vinculado à Secretaria de Transportes, e nem da Empresa Olímpica Municipal (EOM). O presidente da comissão de orçamento, vereador Professor Uoston, anunciou que a audiência com a EOM será remarcada, mas a nova data não foi anunciada.

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